
Isabela Rocha, uma jovem pobre de 23 anos, é humilhada publicamente no meio da feira, amarrada a um umbuzeiro seco como se fosse uma criminosa. O delegado Silas Barreto manda espalhar pela cidade que ela roubou um saco de dinheiro, enquanto os capangas do coronel Augusto Farias gritam, xingam e ameaçam qualquer pessoa que tente ajudá-la. Debaixo do sol forte, com o vestido rasgado, os pulsos feridos e o rosto queimado, Isabela pede água, mas todos viram o rosto por medo de perder trabalho, venda, terra ou até a própria vida.
O único que enfrenta a covardia é Manoel Duarte, um viúvo simples e criador de cabras. Mesmo cercado por homens armados e insultado na frente de todos, ele corta a corda e tira Isabela dali. Os capangas o chamam de velho idiota, cúmplice de ladra e avisam que ele escolheu morrer devagar. Mas Manoel não recua. Leva a moça para casa, cuida das feridas dela e enfrenta o delegado quando Silas aparece exigindo “sua ladra” de volta.
A verdade explode quando Isabela revela que roubou o saco, mas não por ganância. Dentro dele havia provas contra o coronel e o delegado: recibos falsos, escrituras forjadas e documentos mostrando que várias famílias pobres tinham sido roubadas durante anos. O pai de Isabela, que morreu acusado de uma dívida falsa, também foi vítima dessa quadrilha. Ela conta que ouviu escondida uma conversa entre Artur, contador da associação dos produtores, e o delegado Silas. Artur descobrira tudo e pretendia denunciar o esquema, mas acabou morto dentro da delegacia.
Silas e seus homens esconderam o corpo de Artur enrolado numa lona preta, como se fosse lixo. Isabela viu tudo pela fresta da porta, tremendo, sem poder gritar. Depois roubou o saco de provas e tentou fugir, mas foi capturada antes de conseguir ajuda. Por isso foi amarrada na feira: não para pagar por um roubo, mas para servir de aviso a quem ousasse desafiar o coronel.
Manoel e Isabela tentam levar as provas até uma autoridade honesta, mas são perseguidos por caminhonetes, capangas armados e ameaças de morte. No meio da fuga, o saco se rompe, os papéis caem na poeira e Isabela encontra a escritura do sítio do pai, provando que a dívida nunca existiu. O coronel roubou a terra da família dela, destruiu o nome do pai e deixou a mãe doente afundar na miséria.
Na vereda, eles são encurralados. Silas aponta a arma para a cabeça de Isabela e diz que ninguém sairá vivo dali se as provas vierem à tona. O coronel, arrogante e cruel, pisa nos documentos e debocha, dizendo que cartório, delegado e povo obedecem a ele. Manoel se coloca na frente da jovem, disposto a levar o tiro.
Quando tudo parece perdido, chegam policiais militares comandados por um sargento honesto, avisados por um menino que Manoel mandara por um atalho com um bilhete escondido. Os capangas, antes valentões, largam as armas como covardes. Silas tenta gritar que é autoridade, mas é desmascarado. A polícia encontra o corpo de Artur numa cacimba abandonada, enrolado na lona da fazenda do coronel.
A cidade inteira fica chocada. As mesmas pessoas que assistiram Isabela sendo humilhada agora aparecem cochichando, fingindo surpresa. Silas é preso algemado e ainda tenta chamá-la de ladra. Isabela levanta os pulsos marcados e responde que ela roubou provas, enquanto ele roubou vidas.
O coronel demora mais a cair, protegido por dinheiro, advogados e políticos, mas as provas são fortes demais. Famílias começam a depor, contratos são suspensos e parte das terras roubadas é bloqueada pela Justiça. Isabela recupera pelo menos a casa e a cisterna da família. Sua mãe chora segurando o documento como se finalmente pudesse abraçar o marido morto.
No fim, Manoel quer derrubar o umbuzeiro onde Isabela foi amarrada, mas ela impede. Quer que a árvore seca continue ali, como lembrança da vergonha da cidade. Porque o maior crime não foi apenas o roubo, a morte ou a mentira: foi todo mundo ter visto uma inocente ser torturada em público e ter baixado os olhos por medo.
